Made in China
Como Marco Polo, Bacco deu uma passada por lá
Marcos Martins*

É difícil imaginar alguma coisa que a China não produza: eletrônicos, roupas, carros, vinhos... Isso mesmo, meu caro leitor, VINHOS!
Navegando na Internet no ano passado pelo site da conceituada revista inglesa Decanter Magazine, me deparei com uma notícia que me deixou de queixo caído: O vinho Jia Bei Lan 2009 (Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Gernicht), de vinhedos localizados na província de Ningxia no norte da China, levou a melhor no concurso “Decanter World Wine Awards 2011”. 
Sabia que a China produzia vinhos; os primeiros relatos de uvas por lá são do século 2 e as cepas europeias foram introduzidas no século 19, mas nesse grau de qualidade e sofisticação... Apenas o salto de qualidade e a profissionalização do setor, ocorridos com o auxílio de consultores internacionais no final da década de 1980, explicam. 
Atualmente, a China tem por volta de 600 vinícolas espalhadas por todo o país, com uma concentração maior na província de Shandong. O número de vinhedos triplicou e o consumo de vinho cresceu em média 15% ao ano na última década. 
Mas os chineses não se restringem mais ao consumo da produção local. Com um país que cresce acima da média mundial, surge uma classe emergente que vê no vinho não só uma bebida, mas um símbolo de status, e é financeiramente poderosa para consumir os melhores vinhos do mundo. 
Com isso, a China já inflaciona produtores tradicionais, entre eles, os grandes Châteaux franceses. 
Os grupos que representam marcas de luxo mundiais, pondo nesse balaio os vinhos, veem a China como o Eldorado onde multinacionais se associam a produtores locais para aproveitar esse momento. 
Aguardo o desembarque em nosso país de uns vinhos “Made In China” para harmonizar, quem sabe com Yakissoba ou Frango Xadrez.

* Marcos Martins é sommelier e gastrônomo
Contato: 11 9143-7478 ou marcos@visuallab.com.br

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