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Para a conta não dar um choque
Dessa vez, o foco não está na conta do seu cliente, mas sim no valor gasto com o consumo de energia elétrica em seu empreendimento gastronômico
por Orlando Belo Ramos
Qual a segurança oferecida pelo sistema elétrico do seu empreendimento à sua equipe de trabalho, ao seu cliente e ao seu investimento? Difícil mensurar? Então vamos falar de valores que seriam mais práticos, digamos mais calculáveis: quanto a sua conta de energia onera seu orçamento por causa de instalações e/ou manutenções malfeitas e até precárias? Certo, talvez como proprietário, possa até ter uma leve impressão ou até certeza de que o valor está muito alto. Entretanto, a resposta para o que está acarretando esse verdadeiro choque na hora de receber o boleto de pagamento precisa ser estudada. É possível, sim, ter resposta para as duas questões quando se aposta em um projeto adequado da parte elétrica, que segue as normas ditadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e que, sobretudo, reforça a necessidade das manutenções programadas.
Vale lembrar que, a partir da última edição das normas de 1997, instalações elétricas em corrente alternada, igual ou inferior a 1.000 V, se fazem obrigatórias para todos os projetos. A Norma NBR 5410 (que diz respeito às Instalações elétricas de baixa tensão) passou a ser fiscalizada, complementada por outras normas NBR 13570 (Instalações elétricas em locais de afluência de público – Requisitos específicos) e NBR 13534 (Instalações elétricas em estabelecimentos assistenciais de saúde –Requisitos para segurança), a partir de dezembro de 2004. As empresas, inclusive na área de foodservice, tiveram um ano de prazo, aproximadamente, para se enquadrarem às novas exigências.
Quando se trata de uma norma que se complementa às outras já citadas, os requisitos de todas elas são exigidos no caso de fiscalizações pelo Ministério do Trabalho e por órgãos federais, estaduais e municipais. Se houver descumprimento de uma delas ou de todas, os custos das multas são indefinidos, podendo variar caso a caso, dependendo do órgão fiscalizador.
Como adequar o projeto às normas da ABNT
Para atender à Norma Regulamentadora – número 10, que cuida especificamente da Segurança em Serviços e Instalações Elétricas, conhecida como NR 10, é necessário ter profissionais qualificados com capacitação técnica para o exercício da função, ou empresa habilitada junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). Isso porque qualquer instalação elétrica energizada tem de ser realizada por um profissional que tenha curso de segurança com conhecimentos em primeiros socorros e conhecimentos básicos sobre a profissão. Para instalações acima de 75 kW, somente técnicos qualificados e comprovados. Quando a potência for superior a 750 kW, a responsabilidade deve ser atribuída a um engenheiro.
Em relação às instalações destinadas a estabelecimentos de refeição fora do lar, primeiramente, vale tecer comentários técnicos que são relevantes e abrangem necessidades primárias de conceitos e exigência das normas.
Evitar o choque elétrico: a condição primária de uma instalação
Pesquisa datada de 1930, com estudos pioneiros de H. Freeberger e L. P. Ferris, e outros estudos posteriores, confirmaram que a atividade biológica, seja glandular, nervosa ou muscular é estimulada e controlada por impulsos elétricos. Se essa corrente se somar a outra corrente externa, ocorrerá no organismo humano uma alteração que pode levar o indivíduo à morte.
Corrente elétrica no corpo humano – Estudos mostram que a corrente elétrica, alternada de 50 a 60 Hz, suportada pelas mulheres é de 10 mA e pelos homens é de 16 mA. O fenômeno mais grave que pode ocorrer pela passagem de corrente elétrica em uma pessoa, além do calor e queimadura, é a fibrilação ventricular (do coração), pois os ventrículos podem trabalhar desordenadamente, estagnando o sangue. Dessa forma, não há irrigação da pressão arterial, cai a pressão e o indivíduo fica em estado de morte aparente, acompanhado pela parada respiratória. Se o tempo superar três minutos, podem ocorrer lesões cerebrais, levando a pessoa à morte. Ou seja, um projeto malfeito, mal executado ou o uso das chamadas “gambiarras”, nessa área, pode colocar a vida de clientes, colaboradores e, inclusive a sua, em risco.
Sistema de aterramento: o mais importante de toda a instalação
Pela norma, não é permitida nenhuma instalação elétrica sem o terra padrão. Um sistema que tenha hastes de aterramento em ponto único cuja resistência ôhmica seja inferior a 10 Ohms – com medições a serem feitas com equipamentos apropriados e aferidos, exemplo: terrômetro. Esse sistema de aterramento pode evitar que um acidente fatal venha a acontecer.
Nos estabelecimentos de foodservice, temos equipamentos resistivos, tais como fornos elétricos, fritadeiras, e equipamentos indutivos, como geladeiras, cortador de frios, batedeiras, freezer, enfim, equipamentos com motores em geral. Portanto, para as instalações elétricas de um restaurante, padaria, bar, lanchonete, etc., a cozinha é o local mais úmido e não pode ter nenhum equipamento sem as devidas proteções elétricas, pois o risco de descargas ou choques elétricos é evidente, como também aumenta o custo da energia consumida.
Em projeto bem definido, leva-se em conta a escolha dos materiais elétricos, componentes e equipamentos a ser instalados, optando pela melhor técnica, qualidade, rendimento, segurança, incluso o consumo kW/h, para se ter o melhor custo-benefício; e não os materiais elétricos, componentes e equipamentos mais baratos, que podem, em uso, ficar mais caros.
Considerando tudo o que foi exposto neste artigo, não só pela necessidade de atender às normas, em especial a NR 10, é preciso colocar à frente de tudo as vidas das pessoas que trabalham e circulam pelo local. Não se pode arriscar a longevidade e o sucesso de uma casa com instalações elétricas executadas por profissionais que não tenham conhecimentos técnicos para atender às atuais exigências. Investir nas “gambiarras” é o mesmo que sabotar o próprio negócio.
Tópicos importantes para se ter uma boa instalação elétrica:
1 – Ter um projeto elétrico bem definido;
2 – Escolher profissional qualificado para manusear e instalar materiais elétricos, componentes e equipamentos, e que conheça as funções e aplicabilidade dos mesmos, não confiar a sua instalação a pessoas não qualificadas;
3 – Manter a instalação com aterramento total, incluso o uso do disjuntor DR (disjuntor referencial);
4 – Não usar equipamentos com potência acima de 1.000 Watts em tomadas comum;
5 – Instalar painel com proteção de disjuntores/fusíveis em todos os circuitos;
6 – Manter o local de todas as instalações limpo e organizado, evitando contagio com líquido (água, óleo) e sujeira em geral;
7 – Toda a instalação elétrica deve ter placas de identificação no padrão da NR 10, assim como os equipamentos utilizados pelos foodservice devem ter os devidos certificados e selo de economia de energia, o que demonstra a preocupação do local com a legislação vigente e com o meio ambiente.
Orlando Belo Ramos é técnico eletroeletrônico, bacharel em Administração e pós-graduado em Administração Financeira; empresário desde 1978, fundador e diretor da Entel Engenharia, que executa projetos, obras e laudos, inclusive na área de foodservice. Pós-graduação pela FAAP em 1989. orlandobr@entel.ind.br
O articulista autorizou a publicação de seu artigo no blog da la gustu assessoria de imprensa e consultoria de comunicação. Contatos com o autor também podem ser feitos pelo e-mail marketing.lagustu@lagustu.com.br

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